23 de setembro de 2005

corpos frios

Sabias que a morte transpira madrugadas como quando tens pesadelos? O suor frio das convulsões. A dolorosa contenção dos espasmos.

Tudo tem o toque da pedra depois de parida e abandonada na sua agreste natureza. Tudo primeiro é um pó, que vai ardendo aos poucos enquanto os relógios do cosmos compõem o seu mecanismo. Vem depois fervilhando como o sangue, como a paixão que te coloca uma cruz nos ombros. Ao nascer, vindo do mito da ressurreição, solidifica com os beijos do vento e as crinas das chuvadas. Nasce para morrer, é cristo fidedigno. E duro que só a água mole.

De modo que… Se o que pretendes é conhecer-me o hábito e trocar prazeres menos mundanos, prefiro que me não toques, pele com pele, carne com carne. Lê-me, antes. Apalpa-me com o teu sexto sentido e adivinha-me o medo que tenho dos corpos frios.
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