8 de abril de 2005

chinfrania

A humanidade, gritavam. Eu sabia que era um grito incolor, por isso não dei muita importância ao facto e segui em frente sem nunca ter olhado para trás. As vozes desfilaram durante ainda algum tempo seguindo os meus passos

(os meus, os teus, os de toda a gente, não estou a ser pretensioso),

apelando a humanidade numa chinfrania que metia dó. Até que se precipitaram para o rio, chamadas que foram pelo ondear prateado das águas. Fiquei a resolver o tempo observando o gesto das pontes enquanto as sombras se faziam tarde.

Quando virei costas e enfiei as mãos nas algibeiras, o crepúsculo era de silêncio.
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