13 de abril de 2006

bicho urbano

Porque nos procuras ainda, Cristo, nas paredes sólidas do pecado? A nossa carne é um bicho urbano, de olhos reduzidos às sombras dos becos, sujo e fedorento como as ratazanas abundando nos esgotos. Céu azul é um sonho, Cristo, céu azul e amor são contos antigos que já não sabemos de cor, e perdemos há muito o livro em que foram escritos.

Não mostres, Cristo, essas chagas. Que nos interessa, se a alma com que abrimos o nosso destino é ela mesma uma ferida borolenta, gangrenando todas as aspirações humanas?

Não venhas, Cristo, sai-te do nosso caminho, poupa-te à delicadeza dos espinhosos cardos, nossa enxerga de todas as noites.

E ao subires ao céu leva contigo quem ainda duvida que o que te dizemos é a clara verdade.
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