20 de abril de 2005

areias brancas

Trouxeram-no com o olho esquerdo cego, e a acenar a multidões com o braço direito erguido. Por não ver do lado esquerdo, e com a boca descida

(cicatriz de insecto que rasteja)

arrasta-se de lado como um caranguejo. Alguns dizem que anda mesmo para trás, incapaz de vislumbrar o horizonte de onde nascem dias. É sabido que vive de sandálias

(nunca os pés descalços!)

e com o pão ressequido desvia a fome, anoitecendo as vozes em areias brancas. O tempo viu-o esquecer-se numa ravina de sombras.
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