13 de setembro de 2006

agulhas

Vieram trepidando com as agulhas da chuva algumas sombras sobre o parque em frente. Os automóveis como canteiros escuros e estéreis. A água espelhando o céu em completa indiferença. Espelhos turvos, como que mortos. A água escorrendo pelas vértebras do chão, apanhando o pó das árvores precipitadas com as suas folhas esperando o momento certo de colorir as bermas. As latitudes do sol mudam, os luzeiros da noite tremelicam como se frio. E as janelas cerradas, acariciadas de conforto pelo lado de dentro. Fico de pé escutando o recolher dos melros. A tarde hoje quase não se distingue da noite. Quando me voltar para dentro as sombras cobrirão já todo o parque aqui em frente. E só se ouvirão agulhas fustigando o chão e os telhados.
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