4 de abril de 2008

o mundo versus eu


autor desconhecido


Acendes o cigarro sem entenderes patavina do meu mundo e abalas, com total indiferença. Sabes, fico como uma criança que vê alguém distribuindo doces por todas as outras crianças, esquecendo-se dela. E, tal como a criança, recolho-me na concha do meu mundo a conjecturar fatalidades. A inventar culpas que não me podem ser atribuídas. Porém, assimilo-as como que verdadeiras, e cuspo ao espelho, odiando-me. Culpas que jogam como agulhas traçando a direcção de todas a minhas acções, marcando os desvios virtuais e reais.

Um ressentimento vem fecundo de muitos outros, com aquele sofrimento das nobres paixões da alma. Que ferem como gumes espetados nos músculos paralisando-me os gestos por mais pueris. Surge a cama, na sua vocação tão solícita, do mesmo-a-calhar, e os estores empreendem a viagem de retorno da luz gorda do sol à magra compostura da escuridão. Os estores ferrados e amuados, solidários com o meu rosto que se esconde nos lençóis, deixando a dúvida sobre se as lágrimas.

Então, é aquela solidão mórbida. Dos pensamentos dicotómicos entre o acabar com tudo esvaziando a embalagem dos barbitúricos ou o quanto essa besta perde por me colocar de lado, todo de dentes aguçados.

Nunca sabemos para onde tombamos e, na pior das hipóteses, o dia pode ser deveras trágico acumulado de lugares-comuns dos tablóides sensacionalistas. Vi gente a acabar assim por uma ninharia. E esta morbidez de sombras, carregando a inveja para com os que se regozijam ao sol e ao calor dos últimos dias, deixa a aninhar-se sobre si, como galinha choca, a infame cobardia.

Muitas expressões podem descrever tal cenário, mas só se firma esta no meu pensamento quando, e se por acaso, racional:

- É nojento tudo isto.

E, com tudo isto, todo o mundo.
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