9 de agosto de 2007

húmido


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Em todos os sonhos todas as mulheres me esperam de morangos e feno à boca dos seios, em todos os sonhos canções multiplicando as vozes por mais mil emoções com deus nas cascas carnudas dos pinheiros conciliando harpas e gotas e dedos cujas polpas bebem os humores das manhãs como sopa de sol e orvalho.

Em todos os sonhos sou falo e húmido e rasgo a terra com fome da minha pele liquefeita no húmus, e são vulvas e são olhos com que beberei suspenso a sede na taça de água gotejando sob as folhas verdes e fulvas dos olmos.

Posso erguer o meu altar dentro do triângulo invertido do prazer onde brota fonte de sucos, de todos os sonhos suspendo a voz para falar e se sonhando esquecer, em todos os sonhos sei que posso loucamente, desvairadamente, frenético, e sem soluçar, imolando-me numa explosão de tudo onde queres ouvir o verbo, foder-te.

És em todas o suco de sangue da fruta desfeita das mulheres que me esperam a balbuciar nos meus lábios – toma-me esventra-me, vem dentro de mim procurar o que em todos os sonhos pode vir, e ser, e acontecer.
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