28 de agosto de 2007

depressão


autor desconhecido


A linha do horizonte é recortada pelas memórias, num vai e vem instável. Recolhem-se os objectos no escuro engolidos pelas sombras pardas do entardecer, o sangue da última luz do dia repousa coalhado no solo fertilizando vãs esperanças.

O grito é uma voz impotente. Toda a força da voz é sussurrada e em surdina. Impondo silêncio.

Persegue-te a serra, entrecortando a linha do horizonte sob as crinas das nuvens fustigadas pelo vento, vindo escuras e agoirentas. Empurram-te para o mar, diluindo o ocidente na luz fosca que cai agora enquanto recolhes o olhar.

Guardas-te pelo crepúsculo e esperas que escureça definitivamente. Vais mergulhar no medo orgânico e retirarás das tuas lágrimas pesadas mágoas que abafam o mundo. Para mais nada, para um nunca mais. Sem que ninguém te perceba, sem que uma mão, um braço, um ombro. Ao abrires palidamente os olhos, choverá em teu redor.

Não saberão resgatar-te.
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