13 de julho de 2007

não sei


foto de Ana Cristina Sarmento em 1000 imagens


Queria dizer-te tudo, desde a alvorada das árvores ao crepúsculo dos rios. Ou começando pelos teus olhos e acabando nos meus dedos. Pousar-te na mão a cartilha da vida. Porém, enfim, só sei dizer-te que não sei.

Não sei explicar os bicos dos pássaros, as escamas dos répteis, os olhos dos peixes, o vento nas folhas das árvores, o azul do dia e o negro salpicado da noite. Não sei dizer sobre o rato e o morcego nem sobre as libelinhas ou as formigas. Não sei como explicar a cor da terra e o calor do magma, não compreendo a temperatura da chuva e a espuma do mar quando enrola. Não sei explicar a janela recortada nem a porta de entrada.

Não sei apontar a gravidade dos astros e a velocidade da luz. Não sei como falar sobre o que já não vive e muito menos dissertar sobre o que vem vivendo. Não sei explicar uma gota e uma inundação, a montanha e um grão de pó. Não sei nada sobre as rodas que circulam nem sobre as pontes unindo as margens.

Não sei explicar-te quase nada, nem mesmo dizer-te porque sorris. Do que eu tenho a certeza é eu falar-te e tu escutares-me. E dos nossos cigarros acesos em anéis azuis. Mais nada sei, tudo me é confuso.

E ainda assim, insistes em quereres que te diga quem eu sou: não sei, minha querida, nada sei.
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