29 de julho de 2007

do vinho


Vestida de luz, por Elsa Mota Gomes em 1000 imagens


A penumbra da tua púbis revela a floresta húmida e quente da minha perdição. Dispo-me perante a janela de sombras para a rua com o sabor do vinho na pele. Os teus seios são estátuas erguidas e o rubor da noite inventado na tempestade dos teus lábios a fervilhar por mim como espuma, mar que se esvai na garganta de todo o prazer. Vem comigo a esquecer o calor do dia, voláteis sob o néon da cidade. As ruas vibram e brilham com música em cada vão de escada suspirando frenéticas desenvolturas. Desenho a circunferência dos nossos corpos, de haste a convocar deuses pagãos. Soletra-me a esfinge da glande, torna ao chão como cadela com cio. Vens do vinho, e eu venho-me como galáxia distante, e todo o universo é aqui, por dentro a fecundar o verão virgem de sedes. Como se mortos, nos sentíssemos vivos. Sem que o dia retome. Eternizando a noite em bebedeiras de azul.
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