20 de abril de 2007

dá-me


(daqui)


Entrega-me o corpo com o mesmo delírio do fogo. Atiça-me o sangue com a saliva do teu desejo. Os teus lábios em sedes carnívoras sobre a minha pele. Quero engolir-te, segurando o teu olhar com as minhas mãos ávidas, derretido sobre as tuas pernas. Sentir-te dentro como se mil paraísos plantados na terra. Grita-me de vaidade, grita-me de insolência, grita-me de pavor

(grita-me o teu amor)

espalhando a seara dos teus cabelos sobre meu ventre em espasmos, arranca-me de mim a golpes violentos das ancas, abre-te, abre-me

(abre o amor)

incendiando de ósculos maduros todas as minhas extremidades, e segura-me, segura-me que me enlouqueço de fome sobre o vale da tua vulva, freneticamente empurrando-te para lá das forças físicas, liberta-me

(liberta o amor)

rasgando até à carne toda a sede da minha língua. Entrega-me o corpo rendido à submissão feminina, ergue-te, baixa-te, volta-te, revira-te, explode-te que explodindo vou eu em jactos viris de vulcão enfurecido. Entrega-me o corpo

(entrega-te amor)

com o fogo ateado no turbilhão crescente dos teus gemidos, dá-me, dá-me, dá-me

(dá-me o teu amor)

emergindo sob o azul todo o calor como um deus de luz.
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