19 de junho de 2006

estilhaços




Não pares na corda bamba. Segue construindo o teu destino, ainda que todos os desequilíbrios te pareçam fatais e derradeiros. Somos todos assim, seguimos o caminho e não podemos contar com a mão por baixo a amparar, sob o arame. E se cairmos mais nada acontecerá que um estilhaço do espelho onde nos olhamos vendados pela lógica e pelas consequências.

Sentes o peito como se fosse explodindo, e a cabeça rodopiando desesperada no espaço confinado pela angústia da existência, não é? Angustia-te existires, com medo que o círculo não se cumpra, sempre com o medo de não te encontrares no fim da linha. O medo de não haver reencontro, a incerteza do retorno. E surge aquele momento, pequenino, um bichinho que te molesta os sonhos, mais tarde sobressaltando-te o despertar para depois um monstro já, uma permanente obsessão que nem adormecer te deixa. De que a morte talvez. O conforto de não haver vertigem, o espelho de uma vez por todas estilhaçado, o não retorno definitivo. Sem o cansaço de todos os dias a ameaça dos desequilíbrios.

Não. Não faz sentido, sabes? Pelo menos tenta manter-te aqui. Não prometo que seja a mão por baixo que tanto procuras, mas estarei presente, quando necessário reunir quaisquer que sejam os estilhaços.
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