6 de abril de 2006

05h12 am


autor desconhecido


À primeira gota de sangue sorriste, gulosa. Eu mascava pastilha elástica numa paciência desinteressada, com as pálpebras pesando a delicadeza do sono. Tomaste um gole de água, sorrindo, e chupaste a ponta do indicador direito. Eu permaneci indiferente, mesmo com o zunir do telemóvel desesperado de atenção.

Não atendes, perguntaste, e não se moveu qualquer resposta dos meu lábios. Também não foste capaz de o fazer. A tua face, encalhada no mesmo sorriso pateta, empalidecia, como que formando um espectro fluorescente no meio da sombra que avançava. E continuavas irrequieta, apesar de eu não perceber o ritmo dos teus movimentos.

A morte entrou encharcada de lágrimas por verter, eram - talvez - umas cinco horas e doze minutos da nascente manhã.
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