10 de fevereiro de 2006

noites gémeas


autor desconhecido


Segues a inevitabilidade das minhas mãos recorrendo às cores húmidas do desejo. Sacudo o orvalho dos ombros depois da madrugada congestionada nas emoções. Etérea pelo estender dos hálitos. Abriram-se-te os poros de perfume e cantas a voz na tonalidade de um murmúrio. Os teus orgasmos são como noites gémeas variando nos segredos das latitudes. E quando estremeces, atiras num súbito soluço o mundo pelo universo adentro.

Convida-me, abre-te. Explora a minha língua. Exala. Transpira na dança. Enleva-te neste prazer puro e primário. Vim para beber do teu sumo, essa frescura do teu corpo amadurecido pela maciez de vénus da tua pele quente. Dás-me o suco e a saliva. Dou-te o meu sémen. Quero que dances embriagada com a cor do vinho. E te percas. Extasiada em mim e por mim entranhada. Eu só quero explorar-te violentamente ao ritmo do que ouvimos, na distância paralela dos sentidos. É o ritmo da nossa cópula ébria e desenfreada.

Toca-me delicada. Abre os pulmões para gritares o clímax do teu corpo. Na flor que hasteaste brotarão as leitosas pétalas que te cobrirão de uma espumosa e morna candura. Arde tudo. Mesmo que na janela a chuva murmure a sua ladainha de sono.

Mergulha então comigo, quero sorver o sabor dos morangos no teu sexo aflito, ferida aberta pelo prazer. Leva as minhas mãos aos lugares mais íntimos e sê tu a agarrares a haste dessa flor a que tomas o aroma com os teus lábios, a tua língua. Mergulha comigo no frenesim escarlate, o orvalho da sede caído sobre nossos corpos que se apelam, se rejeitam e se apelam novamente. Mergulha-me, mergulha-te. Não há noite nem dia, apenas um tempo traçado na verticalidade de mim, sujeito a explodir contigo um turbilhão de gemidos.
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