5 de janeiro de 2006

últimas palavras


(daqui)


A chuva cai com argumentos tristes. Cai com a vocação das lágrimas. Cai para a efemeridade.

Estendo as mãos e nelas vejo o vazio das tuas. Estendo o olhar para parte alguma e nenhum lugar é onde já foi. Estendo o meu corpo na latitude onde já não te encontras. Toda a terra se abate, com a aflição das águas. E a chuva cai porque tudo em mim para ti caiu.

E nós sem argumentos tristes, sem a vocação das lágrimas. Mas a chuva cai nessa condição porque outras águas não o fariam melhor para ilustrar a partida de ambos.

As últimas palavras, dirão.
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