30 de dezembro de 2005

telegrama


foto de Marco Ricca em 1000 imagens


Eu venho escutar-te a limpidez dos lábios. A tua boca que diz silêncio ao meu lado prostrada, encarando o acaso com um sorriso nos olhos. Observo o teu pescoço e sinto o sangue que te aquece. Não me indicas qualquer caminho, deixas-me à mercê das mãos que são como esquilos assustados pelas sombras. E a melodia prossegue, mesmo não ouvindo a tua voz. Mesmo sem que digas o que gostaria tanto de ouvir e porém com medo. Tenho medo que me percas algures, por isso talvez o silêncio seja a melhor estratégia. O amor proibido tem assim estas crisálidas, não se sabe nunca no que vai transformar-se. Fosse como a metamorfose das palavras, abrir-se-iam infinitos caminhos. Não é. O amor proibido também não existe, afinal. O que existe somos nós e a tua boca que não encontra a minha. E é só isso.
Enviar um comentário