30 de novembro de 2005

nem sempre são as palavras


Julie, de Filipe Oliveira em 1000 imagens

- Nem sempre são as palavras que dizem.
- Que dizem o quê?
- Tudo. Nem sempre são as palavras.
- Queres dizer também o olhar?
- E o rosto, principalmente o rosto.

Lágrima
O Rosto é Lágrima.
Frio Orvalho.
Sentimento, Criação.
Espírito.
Tarde
O Rosto é a Tarde
Desejo que Arde.


É a brisa que traz até mim o perfume dos teus cabelos, o perfume que nunca senti, que não conheço. É a memória do teu rosto o fogo ateado no meu peito que vem consumindo as tardes. É a noite em que te busco cego sem sair deste lugar onde escrevo sem lua sem estrelas, sabendo que não vou encontrar-te. É um bocejo, um quadro sobre a ponte, o rio, cidade onde tudo é nada, mas principalmente um beijo que dos teus olhos chega até mim como flor que perde as suas pétalas, em forma de dúvida, a questão de saber o que queremos. Sei já que sabes que mesmo no nada sabemos um do outro. Sabemos desta fresca manhã que desperta no cruzar fugaz dos olhares. Sabes já, tanto quanto eu, que a tua mão permanecerá fria. Que o calor do meu peito não te aconchegará. Que de ambos o afago não tocará nem de leve nossos corpos...
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