
quantas janelas há para uma rua?
aqui sossegam os peitos roliços dos pombos
e nascem alvoradas no parapeito
sempre que inspiro e expiro as madrugadas lentas
a fruta desmancha-se em sangue nos meus dedos
e agora também os pardais sentem
que aqui, nesta janela com vista para tudo,
o mundo pode acontecer
como se eu fosse Colombo e as minhas naus
a saliva espreitando, ancorada, em cada esquina.
diz-me: quantas janelas pode haver para uma rua?
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