17 de agosto de 2005

mostra-me




mostra-me
a arte da tua pose
como pássaro que poisa delicadamente
nos ramos das árvores

para ver-te saltitando entre os meus dedos
e vires beber a sede no meu rosto
num gesto de impoluta respiração
criando asas no céu estéril do meu quarto

isto enquanto não entardece
prolongando-me a manhã da vida
com a suavidade de pluma dos teus ombros
e o gorjeio do teu carinho nos meus ouvidos

mostra-me que ser pássaro
é posar o teu sorriso sem necessidade de espelhos
e que o amor dorido e sofrido
é apenas querer e poder deixar-te voar

livremente.
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