1 de julho de 2005

sem dúvida um dia bonito



É sem dúvida um dia bonito. Como qualquer verão que se perdeu na memória da infância em que tudo (e tudo era mesmo tudo) parecia mais simples. Ou - melhor que isso - parecia simplesmente simples. Do pequeno quintalzito, onde, aos olhos de uma criança, era um mundo repleto de aventuras, povoado pelos animais, árvores de fruto e recantos de sombra para viagens inter-galácticas ou mais mundanamente ao volante de um bólide antigo que a imaginação comprava sem o desgaste do dinheiro ou a ansiedade de um crédito aprovado. Na paisagem da janela erguia-se, bem nos confins do horizonte, um morro onde nascia uma ponte de ferro carregando carruagens vagarosas. E o rio, mais abaixo, que subia nos sonhos mais abstractos, para delicadamente nos lamber os pés mesmo à porta de casa. O verão que não cheirava aos óleos das praias, mas a terra remexida. O verão que não rebentava nas ondas espumando-se com raiva nos corpos entediados, mas erguido verde, viçoso, no milho que ia amadurecendo as tardes entre o chilrear da passarada.

Não é, era. Era, sem dúvida, um dia bonito.
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