25 de julho de 2005

a intenção de um fruto




permito que as tuas lágrimas
tingidas de uma felicidade sofrida
sejam estes matinais orvalhos
com que a manhã sacia o sol da sua sede
de luz

permito que me acaricies como
a folha pequenina nascida no tronco nu

isto porque permitido é o amor
na alvorada da primavera


protegido o amor
aquecido nas searas ainda verdes
onde estendes os teus cabelos como brisas que apaziguam
a crueldade dos homens

nada sou sem ti
como um tronco seco da seiva
que desliza nos teus lábios
cintilando

e encontrando na abertura da minha boca
a intenção de ressurreição
a intenção de um fruto
que resistiu a todas as intempéries


não sou da noite
que me escondia na sua concha de sombras e fantasmas
não sou da solidão que avassala como um frio
e cobre o corpo de negras
mutações

sou do novo fruto
que desponta nos teus mamilos
e agora renascido ou ressuscitado

vou beber da cristalina água
que apanhas na palma das tuas mãos
e segredar ao azul dos céus

que te amo, com carícias
de pluma

de uma ave pequena.
Enviar um comentário