6 de junho de 2005

ruínas




quando for a morte
abre a terra devagar com golpes de chuva
não te demores nas sombras dos velhos palácios
a escrever no verdete das paredes as folhas adocicadas
ou os frutos vermelhos que amadurecem o teu regaço.
quando for a morte
não digas medo nem espantes a noite
leva o cadáver banhado de pó à cova
e cospe - cospe de nojo - a lentidão das horas
caídas como gotas de sol.
quando for a morte
espreita a escuridão mantida nas frinchas das portas
no fundo das ruínas dos móveis
na dobra eterna das mortalhas.

e quando a terra enfim batida e chorada,
esquece-a
com a permanente latência das palavras.
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