18 de junho de 2005

método

Eu escrevia a dor peculiar de um corpo que não era o meu e disseram-me que se surpreendiam como sabia eu discorrer sobre a dor que nunca havia sentido, dentro de um corpo que me era estranho. Respondi que os olhos espelham qualquer coisa, uns dizem que é a alma, eu digo que é qualquer coisa pouco definido, mas é por aí que se lêem as raízes de tudo o que somos e por isso podia dizer sem hesitações o quê. Armadilharam-se com a pergunta rasteira: e os cegos, podes escrever a escuridão dos cegos? Se o não soubesse coleccionaria pedras. Pedras da rua, apanhadas ao acaso.
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