
a Álvaro Cunhal
as tuas mãos enfatizam uma fome de justiça
enfrentando toda a madrugada humana
refeita dos trapos e da miséria dos povos
nunca foi fraca esta tua voz
voz que marchou, voz que entoou
o erguer dos dias
eras uma seara que o vento nunca derrubou
que o joio jamais sufocaria
e com a graciosidade dos teus dedos
que apontaram duramente, impiedosos, a tirania
sabias dar corpo a homens e mulheres
pois era na humanidade que te nascia
toda a arte, com engenho de artesão
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