23 de junho de 2005

interioridade

O relógio mastiga as horas com a mesma paciência vagarosa com que as gruas se movem no horizonte. As pessoas acontecem, são fenómenos na paisagem, munidas de um silêncio que tende a magoar os meus ouvidos. Cá dentro as máquinas vibram, e sem as pessoas que aqui habitam as oito horas laborais, tudo parece sossegado. O sossego daqui é uma realidade que se sobrepõem ao fenómeno do exterior. Enquanto nada acontece ou enquanto o tudo não se manifesta, este instante individual, egoísta, solitário, é a verdade. Sou eu e o resto paisagem. Só quando o primeiro telefone toca o meu umbigo diminui, e nos meus gestos do quotidiano deixo de ser quem sou, para ser parte de um todo, em que somos entre muitos.
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