26 de maio de 2005

tempo perdido


foto de JMS (daqui)


Deixei-me encostar na parede com o relógio parado numa hora incerta da tarde. As árvores riam-se de sombra, erguidas diante mim, e uma pequena gota de suor atravessou a minha testa. Deveria continuar o caminho, se o relógio explodiu na sua sístole de tempo? Porque dependo da sua tirania, agora parca, miserável, se precisa de mim para encontrar o eixo do mundo?

Decidi ir buscar incerto o futuro que só a mim pertence. Sem um ponteiro que me aponte no seu velho polegar de ditador.

Teria pois de enfrentar o dia e todos os dias a dureza de tão grande caminhada.

Ardia o sol sobre a poeira da estrada. Arde sempre aqui, no lugar febril de todos estes delírios com que mancho o pensamento.
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