29 de maio de 2005

já não é incompleto o poema



poema incompleto

acordei sobre este poema inacabado
espatifei as páginas em branco
e senti que não queria difundir
nada para aqueles espaços despojados
mas rasguei as palavras com cólera
e embrenhei outras para ali
como um puzzle

adormeci sobre este poema
que nunca será concluído
porque quem o finalizará
serás tu
e não eu...


(Piedade Araújo Sol, em Olhares em tons de maresia)


completo-te o poema, cerceando a raiva das tuas unhas
em compleição com a terra remexida
tragada pelo sal do teu suor.

rosto de lágrima
porque espatifas assim a virgindade do papel
quando é este o sol que te ilumina todas as manhãs?

sê serena, tranquiliza-te ao passares as polpas dos dedos
sobre a textura que te acaricia.

ergue o punho,
esventra o corpo da tua voz,

e escreve-te num dilúvio.
Enviar um comentário