10 de maio de 2005

insónia



A sala suspira de papel. Repousam os computadores, alinhados. Como ilhas, os telefones diferenciam-se pelo tamanho e pela cor. Clips, agrafadores, o gigante furador. Alguns calendários aqui e acolá. As cadeiras repousando o colo. A estas também lhes doem as costas. Sofrem em silêncio como as velhas viúvas resignadas. A porta é uma árvore: só lhe sabemos a presença quando o vento uiva, ou se agita para uma sombra refrescante de qualquer novidade exterior. Agora a luz anuncia que a hora do almoço se finda com o sossego do tempo. Quando o burburinho regressar, talvez aí consiga finalmente adormecer.
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