14 de maio de 2005

encontro


autor desconhecido


Fui com um cigarro bater à porta da solidão e encontrei-te. Que havia muito tempo que ali estavas, esclareceste, com a farinha das unhas entre os lábios. Eu respondi que era um acaso, uma ligeira indisposição me levara ali. Na viagem entre uma fumaça e um pensamento?, perguntaste. Sim, foi isso, como sabes?, Muitas vezes assim cá cheguei, Então e agora não é assim?, Agora

(fizeste uma pausa como se interpretasses uma personagem de filme de hollywood)

só mesmo com isto. E mostraste-me uma carteira de brancos e pequenos comprimidos.

Acenei para te dizer, sem palavras, que compreendia. E porquê as unhas?, indaguei. É para deixar vestígios, respondeste. O meu cigarro chegou ao fim e vim embora.

Passado imenso tempo regressei, entre um gole de gin e uma lágrima que não pude reprimir. Procurei por ti mas já lá não estavas. Eram só os teus vestígios no chão e foi então que deixei livremente soltar-se o meu pranto.
Enviar um comentário