2 de maio de 2005

a cabra da bruxa

Eis porquê: parece-me uma bruxa. Esguia, olha de alto para mim, capaz de pensar que sou uma erva a qual ela pode arrancar da terra para as suas poções habitadas por sapos e unhas de crocodilo. Espana o pó do ar com o seu cabelo escorrido, cortado a meio. Os seus olhos esbugalhados (meu deus como saltam de horror as órbitas raiadas!) por detrás do óculo baço e estilhaçado quebram-me a vontade, arrepiam-me de medo, dão-me calafrios. No seu nariz sem graça esperam as verrugas nascer como borbulhões que apodrecem e estoiram sobre mim. Os cantos da sua boca descolorida esbranquiçam-se de espuma quando fala e grita e berra como as cabras com cio, de raiva, de inveja, de ódio. Eu sei lá! Eis porquê: parece-me uma bruxa.

Mas não é. Possivelmente não será.
Enviar um comentário