9 de abril de 2005

secos de tão velhos

Eu vi que colocaste os cravos no lixo, de tão velhos, como disseste. As tuas mãos comungam agora com o sol e a luz do verde das plantas no jardim. Com a tesoura inclinas-te para colheres aquele botão de rosa.

Perguntei se não achavas a rosa um lugar-comum tão batido, porque não voltar aos mesmos cravos, insisti.

Estão velhos, secos de tão velhos, respondeste.

E se a hora era então do lugar-comum, o jardim levou-te como uma memória, e em teus dedos floriram lágrimas vermelhas pela sorte de um espinho.
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