19 de abril de 2005

não estou capaz

Pediram-me para escrever um poema mas não estou capaz. A giesta florida, e não estou capaz. A água límpida do riacho, e não estou capaz. A majestade da serra, e o seu silêncio, e não estou capaz. Porque o crepúsculo jaz cinzento e o que quero é deitar as tardes a dormir enquanto a chuva inicia uma catadupa de raivas e frustrações...

Estarei talvez capaz quando a minha pele aquecer com um beijo morno da alvorada e os meus lábios disserem, com cuidado de bisturi, as entranhas esquecidas do papel denso e branco.
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