28 de abril de 2005

molho de chaves


(daqui)


Ela veio até mim, trazendo um molho de chaves, e disse:

- Toma a que achares que vai abrir.
- Abrir o quê?, indaguei, sem ter esboçado qualquer gesto que adivinhasse a curiosidade que me invadiu naquele momento.
- Tu o saberás, respondeu-me, serena.

Ficamos uns instantes a olhar um para o outro. O que me poderia interessar numa chave daquele molho estendido pela mão de uma estranha? Apesar de tudo, a minha curiosidade era cada vez maior pelo que viesse a ser tudo aquilo e porquê eu, porquê ela. Porquê chaves.

- Escolhes uma?, insistiu.
- Prefiro as portas já abertas, respondi por fim, muito convicto.

Murou-me o horizonte com o rosto que aproximou num repente de mim, e os seus lábios entreabriram-se. Mas eram os meus olhos que afastavam a sombra da madrugada e afogando com a realidade a incógnita de um sonho...
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