12 de abril de 2005

de um verbo


Dourado, por Jorge Casais em 1000 imagens


Fiz-te um verbo.

Naquela semana estava doente, mas tudo acabou por acontecer. Tu tinhas os livros como se ervas daninhas no jardim. Cresciam, simplesmente. Nunca a coragem para os tocar, folhear, ler: porquê?

Dilataste a boca e escancaraste as garras. Querias-me vítima de uma possessão tua. Armaste uma armadilha, porém foste tu que te achaste dentro das páginas. Engoliste o verbo e engravidaste.

Cuspiste, furiosa.
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