
A cadeira de Gauguin, por Van Gogh
A cadeira ficou vazia para que estimulasses a tua imaginação. Trouxeste a parda solidão para que nela se sentasse, e nenhum outro objecto traçaste na tua imaginação senão essa dor a que teimosamente fazes culto. Então eram as descrições pormenorizadas acerca das sombras atravessadas sobre as tuas falanges, o silêncio gotejando na aridez dos teus lábios, ventos e fomes e bocas de gritos escancarados.
Pediste-me
(sempre me pediste isto)
que cantasse árias perdidas no imaginário e no folclore, apenas para te dar alimento a uma nostalgia cega e esclerosada.
Sai!, gritei.
Custou-te mexer as pernas. Nelas trazias raízes de um lixo abominável.
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